Mossoró/RN, 18 de Outubro de 2021

A Folha de SP

Escutei, estupefato, de um “empresário” de Mossoró (desses que passam horas em academia e nenhuma com um livro), que a Folha de SP era um “jornal de esquerda”. Eu apenas ri. Diante de doidos e imbecis, eu reajo assim agora. Deve ser a idade que me transformou. Sabedoria, diriam alguns.

Leio a Folha desde 1996, quando pude ler a mesma de graça, graças a assinatura que o PET (Programa Especial de Treinamento) de Ciências Sociais da UFRN nos propiciava. Eu tinha 19 anos naquela época…
Chegava sempre um dia depois. Não importava. Líamos com voracidade aquele jornal imenso que trazia análises e colunas maravilhosas. O caderno “Mais!” era disputado à tapa.

Depois, com a internet, passei a ler a Folha via computador e depois tablet. Assino o UOL e acesso o conteúdo do jornal por menos de 20 reais por mês.

Passei a ler também outros meios: Veja, Carta Capital, Piauí e Le Monde Diplomatique. Também leio El Pais, The New York Times e o que cair aqui (quase não leio os panfletos locais, no máximo algum sítio).

Não engulo o que leio. Reflito, checo, penso, logo, existo. Menos Fake News e mais informação me fizeram: sair de minha bolha (parte dela) e permitiu maior reflexão.

Não há “imprensa livre” no Brasil. As amarras econômicas são fundamentais para o cabrestro midiático. Além da concentração dos meios, etc. Mas, em era de Fake News e de extremismos advindos disso, de bolhas de violência em redes sociais, nossa mídia cumpre um importante papel de defesa da pouca democracia que nos resta.

Perfeita? Não. Problemática? Deveras. Mas é o que podemos utilizar.
Quando Trump e seus clones (aqui e alhures) atacam a imprensa, não tenham dúvidas. É a democracia que atacam.

Nesse sentido, fico com a democracia. Entre a Folha e o Fascismo, continuo lendo a primeira e lutando contra o segundo.

Postado em 1 de novembro de 2019