Mossoró/RN, 06 de Agosto de 2021

Para além do pentecostalismo

O peso do conservadorismo na política brasileira, como já previa Celso Furtado em 1985 (vide suas Memórias), não pode ser creditado apenas ao neopentecostalismo triunfante surgido nas periferias de nossas grandes cidades.

Embora seja um fator fundamental, tanto a IURD como outras tantas apoiaram a ascensão do lulismo em 2002 e o sustentaram por anos.

O conservadorismo brasileiro tem raízes na também na ascensão política da população branca, de classe média e oriunda do Sul, Sudeste e Centro Oeste (principalmente), assim como de um contexto de acirramento de uma criminalidade de massas que se tornou crônica nas grandes cidades das regiões economicamente mais dinâmicas a partir dos anos 1980 e que migrou para o Norte e Nordeste quando essas regiões viram um crescimento econômico e urbano sem a contrapartida das políticas públicas de contenção dessa criminalidade.

São mais elementos para se pensar o porquê do discurso conservador ganhar tanta força. Vejo isso no medo e na disseminação desse mesmo medo via discursos e redes sociais da internet.

São mais elementos para se pensar e, parafraseando Weber no parágrafo final da Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo, não podemos substituir uma explicação por outra, mas utilizar todas para pensar o conjunto fenomenal e complexo a vista.

Postado em 11 de novembro de 2019