Mossoró/RN, 17 de Maio de 2021

Pandemia expõe décadas de irresponsabilidade com a saúde pública de Mossoró

A pandemia do novo coronavírus está expondo décadas de omissão e irresponsabilidade com a saúde pública de Mossoró. A segunda maior cidade do estado do Rio Grande do Norte está tendo a fragilidade do seu sistema de saúde revelado aos quatro cantos.

Com um orçamento anual beirando os R$ 600 milhões, Mossoró não tem um hospital municipal ou mesmo uma maternidade, estando os mossoroenses sempre sujeitos a serviços terceirizados.

Uma omissão e irresponsabilidade que já custaram muitas vidas. Só que ninguém nunca pagou por elas, e isso explica a histórica falta de zelo com os serviços públicos de saúde “na cidade do futuro”.

Cidades do mesmo porte de Mossoró contam com seus hospitais municipais, como Caruarú/PE e Campina Grande/PB, por exemplo, e não ficam 100% dependentes de serviços terceirizados ou de estrutura, já pífia, do Estado.

Quem não lembra do período em que os filhos dos mossoroenses tiveram que nascer no pequeno município de Russas, no interior do estado do Ceará, por conta de uma paralisação dos anestesiologistas? Isso foi em janeiro de 2012. O que mudou hoje? Nada. Se os anestesiologistas pararem, a situação vai se repetir. Quase uma década depois, a estrutura de saúde pública da Prefeitura de Mossoró é a mesma ou está pior.

Quem não lembra que nossas crianças morreram por falta de leitos de UTI pediátrica, que a Prefeitura de Mossoró insistiu em não instalar por anos, contrariando até decisão judicial? Hoje temos somente 10 leitos instalados em um hospital privado e que vivem com ameaça de paralisação por falta de pagamento do Município.

A estrutura de saúde pública em Mossoró se resume a Unidades Básicas de Saúde caindo aos pedaços e a Unidades de Pronto Atendimento que muitas vezes não têm os insumos para atender aos pacientes.

Para conseguir uma consulta médica em Mossoró, é preciso madrugar em uma UBS. Para fazer um exame, é preciso ter paciência. Muitas vezes o exame demora tanto que o paciente já tem falecido quando chega a autorização.

Se Mossoró tivesse o mínimo de estrutura de saúde à altura da sua importância econômica e geográfica, não estaríamos agora correndo contra o tempo para montar eleitos e mais leitos para atender aos pacientes afetados pelo novo coronavírus.

Mas nada vai mudar após a pandemia. Os contêineres serão devolvidos, os leitos desinstalados e Mossoró voltará a ser uma cidade sem hospital e com um sistema de saúde pública tão frágil quanto um paciente com comorbidades infectado pelo coronavírus.

E de quem é a culpa? A culpa é de Rosalba, é de Fafá, é de Silveira e de todos que passaram pela Prefeitura de Mossoró e não fizeram nada para estruturar o município com uma saúde pública à sua altura e necessidades.

Não custa nada lembrar que a atual prefeita esteve à frente do Município em mais de uma década e meia, portanto, ela deve carregar em suas costas a maior responsabilidade por Mossoró ser uma cidade grande com uma saúde pequena.

Postado em 6 de maio de 2020