Mossoró/RN, 16 de Maio de 2021

“Quase nove anos sem fumar mudaram o rumo da minha história”, diz delegado recuperado da covid-19

O delegado de polícia Inácio Rodrigues entrou na lista de pessoas que conseguiram vencer a covid-19. Mas essa vitória, segundo o seu próprio entendimento, só foi possível graças a uma decisão que ele tomou bem antes: deixar de fumar.

Atual diretor de Polícia Civil do Interior no Rio Grande do Norte, Inácio começou a fumar aos 15 anos e intensificou o vício a partir dos 25, quando passou em concurso público para delegado no RN. “O stress da vida policial me fez fumar compulsivamente, 50, 60 cigarros por dia.”, recorda.

Essa historia começou a mudar no ano de 2011. Incentivado pelo filho, então com 8 anos, o delegado gravou um vídeo e enviou para um quadro recém-criado do programa Fantástico, da Rede Globo, comandado pelo médico Draúzio Varela, que selecionou e acompanhou pessoas que queriam parar de fumar. “Eu nem queria deixar de fumar, pois achava que o cigarro controlava minha ansiedade, mas fiz o vídeo apenas para agradá-lo.”, relata.

Inácio não foi selecionado para ser um dos personagens do quadro, mas continuou enviando vídeos do seu progresso e diante da cobrança até de desconhecidos que o viram na TV, ele deixou de fumar no dia 11 de novembro de 2011. Ele só não sabia que estava tomando uma decisão que ia salvar a sua vida.

Quase nove anos se passaram e no último dia 28 de abril, o delegado apresentou os primeiros sintomas da covid-19: febre e sinais de gripe. O quadro piorou e ele passou a sentir fraqueza, ficou sem energia e iniciou o período de isolamento domiciliar, em Natal, onde trabalha. No dia 02 de maio, debilitado, viajou para Mossoró, onde mora com a sua família, e deu prosseguimento ao isolamento.  Três dias depois, ele fez o exame e o resultado foi positivo para a covid-19. Foi ai que Inácio começou a se preocupar com o seu histórico de fumante. “Apesar de não sentir falta de ar, nesse momento de certeza que era a temida doença, temi pelo meu pulmão. Fui tomado por um pânico e um medo que nunca sentira em tantos anos como policial.”, conta.

Durante o isolamento em Mossoró, o delegado foi três vezes ao hospital, com taquicardia e mal estar. “Mas o que eu temia não aconteceu. Meu pulmão aguentou firme, e eu não tive falta de ar, o pior sintoma dessa doença. Todos os médicos disseram que esses quase nove anos sem fumar, mudaram o rumo da minha história.”, comemora.

Na última quarta-feira (13), Inácio Rodrigues fez um novo exame que confirmou que ele estava curado. “Estou com o IGG alto, cheio de anticorpos, e o IGM negativo. Estou fraco, ainda debilitado, pois mesmo a versão “branda” que eu tive me maltratou muito. Corpo e mente. Mas estou muito agradecido por ter sobrevivido.”, conclui, acrescentando que a esposa e o filho também testaram negativo para a doença.

Postado em 18 de maio de 2020