Mossoró/RN, 21 de Abril de 2021

Em plena pandemia, Bolsonaro remaneja recursos do Bolsa Família para a Comunicação; Estados do NE processam a União

O Estado do Rio Grande do Norte e demais Estados da região Nordeste processam a União pelo corte de verbas no programa Bolsa Família. Para isso, acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (05/06), para pedir que o governo federal restabeleça os valores retirados do orçamento do programa, que somam R$ 83,9 milhões para a região e foi realocado para a comunicação institucional do Palácio do Planalto. O pedido é assinado pelas procuradorias gerais dos nove Estados nordestinos, entre elas a Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Norte – PGE/RN.

Dados do Ministério da Cidadania revelam que os Estados da região Nordeste continuam sendo penalizados no programa de distribuição de renda do Governo Federal. No documento levado ao STF consta que o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família na região caiu no mês de maio em relação ao mesmo período de 2019 e que ainda a conduta da União representa significativo corte, sobretudo em um período de maior necessidade devido a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

O processo será avaliado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Melo, que em decisão anterior, no mês de março, proibiu o corte no Bolsa Família. Na ocasião, o ministro ressaltou em sua decisão que configura uma postura discriminatória promover cortes na transferência direta de renda por meio do programa Bolsa Família a apenas uma região do país. Ao analisar o pedido, o Ministro considerou que há um estado de calamidade pública no país e que a concentração de cortes do benefício na Região Nordeste configura discriminação. “A postura de discriminação, ante enfoque adotado por dirigente, de retaliação a alcançar cidadãos – e logo os mais necessitados –, revela o ponto a que se chegou, revela descalabro, revela tempos estranhos”, afirmou o Ministro Marco Aurélio.

Postado em 7 de junho de 2020