Mossoró/RN, 28 de Outubro de 2021

Deputada defende diálogo com o Governo do Estado para evitar o fechamento do Hospital Ruy Pereira

Um dia depois da participação do secretário estadual de Saúde Pública, Crispiano Maia de Vasconcelos, em sabatina realizada pelos membros da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, os deputados Galeno Torquato (PSD), Getúlio Rêgo (DEM) e Eudiane Macedo (PTC), titulares do grupo de trabalho, fizeram uma visita técnica ao Hospital Estadual Ruy Pereira dos Santos, em Natal. A unidade de saúde é referência no Rio Grande do Norte em cirurgias vasculares e principal destino de pessoas em tratamento para problemas como o “pé diabético”, com 80 leitos clínicos de enfermaria e 10 leitos de UTI. De acordo com a Secretaria de Saúde, o hospital vai encerrar as atividades no próximo dia 31 de agosto.

“Fechar uma unidade de saúde é muito complicado. Avaliamos a estrutura e, por mais precária que esteja, é onde funciona a parte vascular aqui do estado. Os leitos estão praticamente todos ocupados e o centro cirúrgico está funcionando, então a Secretaria de Saúde tem que avaliar e discutir melhor perante a direção do hospital essa decisão. Por mais precárias que estejam as condições, ele é referência e dá condições de suporte para o paciente portador do pé diabético e de outras arteriopatias que necessitam de tratamento adequado”, avaliou o deputado e presidente da Comissão, Galeno Torquato.

Outra preocupação apresentada pelos parlamentares durante a visita, diz respeito a garantia de oferta de, pelo menos, as 80 atuais vagas disponibilizadas à população pelo Ruy Pereira. “Nossa preocupação é ver essas 80 vagas, com demanda represada e mais 100 pacientes na fila aguardando atendimento especializado, virar 30 leitos lá fora. Evidente que vamos ter que alertar a Secretaria de Saúde para só promover mudanças para outra rede depois de garantir a sustentabilidade do atendimento à população nessa especialidade”, destacou Getúlio Rêgo enquanto defendia uma reforma no prédio.

De acordo com a diretora geral do hospital, Patrícia Albuquerque, a infiltração é o principal problema estrutural do prédio. “Sabíamos da proposta de fechamento há cerca de dois meses, mas ainda sem data certa. Atualmente estamos tentando adequar essa nova estratégia para não ter tanto prejuízo à população. Fomos comunicados que os atuais 80 leitos serão distribuídos nos vários hospitais do estado, como o Giselda, João Machado, Santa Catarina e Hospital da Policia, sem falar que precisamos fortalecer os municípios e conversar com a direção dos hospitais”, disse.

A deputada Eudiane Macedo (PTC), demonstrando preocupação com a garantia das 80 vagas para atendimento no Hospital Estadual Ruy Pereira dos Santos, destacou a necessidade de diálogo com o Executivo estadual para evitar o fechamento do hospital. “Nos preocupa muito vislumbrar uma realidade com número de leitos insuficiente para atender a demanda do nosso estado”, disse.

A visita dos parlamentares faz parte de uma série de ações com objetivo de levantar dados e verificar a situação das unidades de saúde do RN. O Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim, e o Hemocentro Dalton Cunha, em Natal, já receberam a Comissão de Saúde Assembleia Legislativa. Um diagnóstico com a situação da saúde pública no Rio Grande do Norte e sugestão de ações será apresentado ao final das visitas.

O hospital – O Hospital Ruy Pereira, que foi inaugurado em outubro de 2010 e funciona no prédio do antigo Itorn no bairro de Petrópolis, possui um centro cirúrgico com três salas; o ambulatório especializado atende 20 pessoas em média por dia; admite a internação de cerca de 100 a 120 pacientes por mês; e em maio registrou 209 procedimentos cirúrgicos realizados. O Estado paga R$ 200 mil mensais de aluguel pelo uso do imóvel, cujo contrato vence no fim do mês de agosto. Há cerca de dois meses, apenas, o Hospital Ruy Pereira foi denominado de referência para atendimento de pacientes vasculares.

Repúdio – A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio Grande do Norte (SBACV-RN) divulgou nota de repúdio criticando a decisão de fechar o hospital.

Confira abaixo:

A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio Grande do Norte – SBACV-RN vem, em razão do anúncio do fechamento do Hospital Estadual Ruy Pereira dos Santos, publicamente externar seu repúdio, em face da decisão da Secretaria Estadual de Saúde Pública – Sesap, de fechar o único hospital referência no Estado para cirurgias vasculares e principal destino de pacientes em tratamentos para problemas como o “pé diabético”.

Tal atitude, além de arbitrária, revela uma decisão tomada sem ao menos conversar com a classe médica à frente do atendimento desses pacientes, pois o tratamento do “pé diabético” não se limita a uma internação, uso de antibiótico e aguardar por uma cirurgia. O tratamento dessa patologia passa desde a prevenção da lesão, com identificação do pé de alto risco até a revascularização do membro isquêmico, e não deve se limitar a fazer debridamentos e amputações, aumentando a legião de amputados e os custos sociais envolvidos nesse processo.

A proposta da Sesap de distribuir os leitos existentes no Hospital Ruy Pereira em hospitais da rede estadual de saúde pode ser desastrosa, pois a revascularização em um paciente para prevenir amputação requer uma arteriografia diagnóstica, exame que atualmente só é feito no Hospital Ruy Pereira. Nenhum dos hospitais citados pela Sesap tem estrutura para fazê-lo. Atualmente 25 exames são feitos mensalmente no Ruy Pereira.

Para a SBACV-RN, a preservação e o salvamento do membro é o mais importante. Claro que as amputações são realizadas para resguardar as vidas, mas a maneira que essa situação está sendo conduzida nos faz pensar que estamos voltando no tempo, pelo menos uns 20 anos, época em que se faziam apenas amputações e secundarizava a qualidade de vida dos pacientes. O que a Sesap está fazendo é um retrocesso no cuidado com a saúde desses pacientes que tem apenas na capital uma assistência.

De acordo com o IBGE, o número de pacientes diabéticos no Rio Grande do Norte chega a 350 mil pessoas, ou seja, 10,1% da população potiguar tem diabetes, e que desses metade não sabe se quer tem a doença. Segundo dados do Hospital Ruy Pereira, no ano passado foram realizadas 242 amputações, o que revela uma médica de 4,6 amputações por semana.

Em razão do exposto, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio Grande do Norte – SBACV-RN repudia com veemência tal decisão, expondo para toda a sociedade a gravidade dessa decisão, esperando que o Governo do Estado busque uma solução mais eficaz, responsável e humanizada sob pena de aumentar ainda mais as estatísticas de pacientes amputados, mal assistidos ou vítimas da falta de uma política adequada para tratamento dos pacientes vasculares no Estado.

Foto: Fábio Cortez

Postado em 6 de junho de 2019