Mossoró/RN, 17 de Maio de 2021

Quando eu aprendi o forró

Aprendi a dançar forró aos 13 anos de idade. Era duro feito um poste, desengonçado e bastante tímido. O aprendizado era parte do ritual de iniciação de todo adolescente nordestino naqueles idos de 1990. Se não soubesse dançar, dificilmente namorava…

Fui sendo ajudado pelas namoradinhas e amigas que, diligentemente, me iniciaram na arte da dança de salão sertaneja mais querida. Já com 16 anos, aprendi a ser bom nos passos e não perdia uma festa. Vi passar do forró brega ao surgimento das bandas de forró cearense e paraibanas que dominaram a indústria cultural local naqueles anos. Mastruz com Leite não era apenas comida, mas uma verdadeira febre junto com outas. Dancei muito forró e varei noites no “mijador com mijador” como gritavam os velhos sanfoneiros.

Não sei como essa meninada de hoje dança solta. Só concebo forró a dois, rostinho colado, sentindo o corpo da parceira levando ou deixando levar no xote, baião ou qualquer outro passo que o forró exija. Mãos nas costas, segurando a cintura, a outra na mão colada, junto ao corpo ou não, no rodopio gostoso dessa dança que já quis ter ares de valsa vienense, mas com sanfona, zabumba e triângulo, carrega a mestiçagem africana, cabocla e europeia que toda música nossa consegue ser.

Já houve lenda de que o nome, de “for all” teria advindo dos americanos em Natal na II Guerra Mundial. Nada mais falso. Se o nome não tiver advindo de forrobodó, o mais provável, pode também ter vindo das festas que os ingleses no final do século XIX e início do séc. XX, construtores das estradas de ferro no Nordeste, faziam “para todos” (for all). De festa, o nome tornou-se o ritmo após os anos 1969-1970. Jamais saberemos ao certo.
E isso importa? Sostô.

Hoje me deu uma vontade da bexiga taboca de dançar forró.

Postado em 19 de junho de 2019