Mossoró/RN, 17 de Maio de 2022

Thadeu Brandão: A UFERSA e o engodo da democracia

Dizem que quem morre de véspera é peru de Natal. Assim está a UFERSA, morrendo e gemendo de véspera, neste vale de lágrimas.

Aceitou-se passivamente a quebra da paridade que antes havia (professor, funcionário e estudante com mesmo peso de votos) e nada fora reclamado ou brandado. Agora, como onda que também morre, mas não de véspera, mas na praia, vejo a ler as “notas de repúdio” e de luta que, se muito conheço a história, não passarão disso.

Agora é democracia ou morte! Dizem. Bradam os lutadores do mote revolucionário. Mas a quebra da paridade – autoritária por si mesma – nem uma coroa de defunto mereceu.

O ministro da educação, seja lá quem for ele até lá, irá escolher um nome da lista tríplice, pois é a letra dura da norma positivada que conta. Lula e Dilma sempre respeitaram a escolha dos primeiros colocados. FHC nem sempre (caso da UNB) e Bolsonaro só às vezes.

Se o reitor que encabeça a lista se alinhar com o governo (como parte da universidade já o fez), fatalmente será empossado e tudo será como sempre foi na UFERSA: vence o candidato indicado pelo reitor anterior. Minto? Sempre foi assim, uma máquina na mão, a vitória na outra. Nunca houve escolha de fato e muito menos “liberdade”.

Agora há o risco de alguém que a reitoria não apoiou assumir a tão sonhada, almejada e sofrida vaga. Mas sabem o que mais me faz rir? TODOS os candidatos a reitor da UFERSA já foram aliados e já se apoiaram mutuamente em algum momento. E todos já tiveram cargos em pro-reitorias e reitoria. TODOS.

Enfim… nada mudará porque tudo foi feito para permanecer como sempre. Uma eleição onde se discutiram prédios e postes e, em nenhum momento, um MODELO de universidade que se adeque ao contexto e às necessidades da região. Polos de licenciatura, cursos voltados para o mercado de trabalho, etc.

Um exemplo da mediocridade imperante: A UFERSA deixou escapar o OBVIO RN por não dar apoio algum, nem uma mísera sala. A UFRN deu duas salas, 16 bolsistas e todo o apoio. Perdemos.

Importa mesmo quem será reitor para além daqueles que irão ocupar cargos polpudos e canetas nas mãos?

Não. Pois para a maioria dos docentes e alunos, nada mudará.

Assino com a lucidez dos que já perderam a esperança.

Thadeu Brandão, Dr. Associado I.

Postado em 16 de junho de 2020