Mossoró/RN, 15 de Maio de 2021

Um clima de ódio e desconfiança alimentado pelo presidente Bolsonaro

POR REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS

Ameaças, agressões, assassinatos…  O Brasil continua sendo um país particularmente violento para a imprensa, em que muitos jornalistas são mortos em conexão com seu trabalho. Na maioria dos casos, esses repórteres, locutores de rádio, blogueiros e outros profissionais da informação estavam cobrindo histórias relacionadas à corrupção, políticas públicas ou crime organizado em cidades de pequeno e médio porte, nas quais estão mais vulneráveis.

O trabalho da imprensa brasileira tornou-se especialmente complexo desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018.  Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente brasileiro.

Qualquer revelação da mídia que ameace os seus interesses ou de seu governo desencadeia uma nova rodada de ataques verbais violentos, que fomentam um clima de ódio e desconfiança em relação aos jornalistas no Brasil. A pandemia do coronavírus expôs sérias dificuldades de acesso à informação no país e deu origem a novos ataques do presidente contra a imprensa, que ele rotula como responsável pela crise e que tenta transformar em verdadeiro bode expiatório.

Além disso, a paisagem midiática brasileira ainda é bastante concentrada, sobretudo nas mãos de grandes famílias de industriais, com frequência, próximas da classe política. O sigilo das fontes é regularmente prejudicado e muitos jornalistas investigativos são alvo de processos judiciais abusivos.

O Brasil caiu quatro posições na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2021, ocupando a 111° colocação entre 180 países e territórios.

Postado em 20 de abril de 2021