Mossoró/RN, 01 de Julho de 2022

I Campeonato de DJs de Mossoró celebra arte e técnica do disc jockey Vilmont e a importância dos editais de cultura do município

DJ Vilmont se consagrou vencedor do I Campeonato de DJs de Mossoró, realizado no último dia 17, no auditório da Estação das Artes. “Os participantes estão de parabéns. Foram três modalidades onde eles puderam mostrar suas habilidades, mas a última modalidade foi a de maior destaque porque era onde o DJ, ele tinha que mostrar, em 10 minutos, pelo menos três vertentes, pelo menos 5 músicas.  E foi aí onde nosso vencedor teve um grande destaque, que foi o Vilmont. A meu ver, como professora do curso de DJ, como DJ há 22 anos, acredito que ele venceu pela diversidade que ele colocou no Set dele e, principalmente, por ter trazido a música brasileira para a construção do seu Set. Isso levou o público à loucura e foi inesquecível para todos”, avalia DJ Hunter, curadora do evento.

Na sequência, DJ Ed Oliver e DJ Mback ficaram com o segundo e terceiro lugar, respectivamente. Houve premiação para os três vencedores, inclusive premiação surpresa. Vilmont soube na hora que seu prêmio extra seria indicar uma mulher presente no público para um curso gratuito com DJ Hunter, como forma de incentivar as mulheres a crescerem na cena.

Além do campeonato, o projeto já havia contemplado a cidade com dois Workshops no começo do mês.  Erguer a cena eletrônica da cidade nesse padrão de exibição só foi possível pela lei Aldir Blanc que tem os recursos, em âmbito municipal, geridos pela Prefeitura de Mossoró.

“Esse projeto, ele foi possível, claro, com apoio cultural. É imprescindível para que a gente consiga realizar um evento dessa magnitude, incentivando a cena dessa maneira, premiando profissionais que já vem desenvolvendo um trabalho aqui na cidade e colocando esse trabalho diante do público de uma maneira tão grandiosa para que esse público venha a reconhecer o tamanho desse trabalho que requer muita habilidade, pesquisa, técnica, concentração”, disse DJ Hunter.

Para além do incentivo para que os DJs profissionais sejam reconhecidos como tal, o projeto trouxe à cidade a oportunidade de desmistificar uma série de preconceitos em relação aos profissionais da área. Primeiro, de que música eletrônica não é arte, não tem alma e até de que não é música de verdade. Pois bem, as apresentações demonstraram exatamente o contrário.

Para usar palavras mais simples, um DJ profissional que respeite a categoria está, durante sua apresentação, mixando, ou seja, construindo um diálogo entre sua criatividade e uma base musical pré-escolhida. Além de “criar” uma música nesse aspecto da mixagem síncrona “ao vivo”, o DJ se revela um produtor musical com capacidade e habilidade tanto para transformar o que já está construído quanto para criar do zero em seu estúdio, se assim ele quiser. O evento nos apresenta que, sim, DJs sérios são artistas e não tocadores de Playlist, como estamos acostumados a ver nos bailes da cidade.

Para essa demonstração, o campeonato foi composto por três desafios. No desafio “ritmo”, o DJ teve cinco minutos para executar duas mixagens, em outras palavras, colar as batidas. A técnica tinha que ser executada somente com régua de pitch e com display do CDJ vedado. Isso quer dizer que o DJ não tinha como ver o ritmo da música, era preciso descobri-lo na hora, durante sua audição. No desafio “B2B e effect”, a proposta foi a criação de uma leitura dinâmica entre duas músicas iguais e fazer uso de efeitos para diferenciá-las. E no último desafio, o “pocket set mix”, o DJ tinha que apresentar um Set Mix de 10 minutos de duração, misturando três vertentes distintas, inserindo no mínimo cinco músicas durante a apresentação, como bem destacou DJ Hunter no início da matéria. Esse momento foi o que acabou por melhor representar a união da alma do DJ artista com a desenvoltura de pesquisa e técnica. Sem isso, até para leigos, é fácil perceber o deslize quando ocorre.

“Foi um evento memorável, maravilhoso, surpreendente. Os DJs competidores puderam mostrar as técnicas, suas habilidades, suas pesquisas, a desenvoltura, postura de palco, interação com o público. Um público aliás muito participativo que votou juntamente com os jurados. É o primeiro evento desse tipo de Mossoró, não posso afirmar, mas talvez o primeiro potiguar, eu não conheço, particularmente, nenhum outro campeonato que já existiu aqui no RN. Que possam vir outros campeonatos e dessa vez com mulheres participando” finaliza DJ Hunter.

Em breve, as apresentações completas estarão disponíveis no Canal do Youtube de DJ Hunter. 

Postado em 21 de fevereiro de 2022