Mossoró/RN, 07 de Dezembro de 2021


PROFESSOR ALESSANDRO
Especialista em Redação

Coluna do Professor Alê: O estresse pré-Enem

Ano após ano escuto as mesmas perguntas, os mesmos comentários e desabafos à medida que o Exame Nacional do Ensino Médio se aproxima:

‘Qual tema o senhor acha que pode cair na redação?’

‘Qual a nota de corte do curso tal?’

‘Eu sei que não conseguirei me sair bem!’

Entre tantas outras dúvidas e inseguranças.

O sistema educacional empurra sobre os ombros dos alunos uma enorme carga de conteúdo inútil, que muitas vezes os sobrecarrega e que jamais será utilizado após a conclusão do ensino médio.

Mas esse, por incrível que pareça nem é o maior dos problemas…

A sociedade e a própria família cobram dos adolescentes, que aos 16/17 anos eles já tenham total certeza do rumo que querem seguir.

Mais do que isso, exigem sucesso e aprovação, mesmo que não haja nos jovens experiência e maturidade suficientes para algumas decisões.

Isso significa que nossos estudantes são ineptos ou que nada no sistema educacional funciona?

Não exatamente.

É preciso entender que, como diz o adágio popular: nem 8, nem 80.

Melhorias no ensino são necessárias, mas acima de tudo é preciso empatia com a juventude.

A pressão desmesurada está originando uma geração de garotos e garotas que chegam ao ENEM estressados, deprimidos, esgotados e, muitas vezes, confusos.

O medo de falhar e decepcionar os pais acaba influenciando diretamente na escolha dos cursos e até no desempenho no exame.

Tentemos todos apoiar mais e cobrar menos.

Ouvir e entender mais, compreender mais e criticar menos.

Quem sabe assim, num futuro não muito distante, todos os candidatos possam chegar a uma prova tão importante, com a cabeça leve e realmente preparada.

Alessandro Paiva é professor de Gramática, Redação e Literatura no Colégio Elita Carlos-CEDEC e Fundador e professor dos cursinhos Oficina da Linguagem e Isolado de Redação do Prof. Alê.

Postado em 18 de novembro de 2021

Saudade não é palavra intraduzível

“E por falar em saudade, onde anda você…”
Vinícius de Moraes e Toquinho foram apenas dois dos muitos cantores e compositores brasileiros a tratar da saudade em suas músicas.
O tema, recorrente nas canções, na poesia e na literatura em geral, tem um forte apelo ‘brasileiro’ e mexe diretamente com nossos sentimentos, inclusive o patriotismo.
Quem nunca viu ou ouviu, repetidas vezes, que a palavra em questão seria intraduzível e exclusiva da língua portuguesa?
Na verdade, para surpresa e descontentamento de muitos, isso não é exatamente verdade.
Saudade chegou ao Brasil ainda nas caravelas, com os portugueses, que tanto se lançavam em navegações e sentiam falta de suas casas, do seu país, das suas famílias…
Sendo o português uma língua latina, muitos encontram a origem do termo lusitano no latim: Sólitas (solidão) ou ainda Solitate (isolamento/solidão).
Há ainda aqueles que verificam uma possível relação com o vocábulo árabe Saudah.
Seja qual for a origem, a saudade aportou nas paragens tropicais nas mesmas embarcações que também trouxeram o Banzo, definição africana que traduzia a melancolia, sofrimento psicológico e tristeza dos povos negros, arrancados de suas terras natais.

É preciso então fazer uma distinção clara entre tradução, significado e valor cultural.
O que torna o termo saudade diferenciado é que, em sua maioria, as expressões que ‘traduzem’ a palavra nem sempre expressam o mesmo sentimento, já que o bom português impõe o sentido de melancolia, tristeza por estar distante de casa, mas também pela perda ou ausência de alguém amado, enquanto em outros idiomas/dialetos, existem palavras diferentes para ambas as dores.
No inglês, existe HOMESICKNESS para saudade de casa, da cidade, do país e o verbo TO MISS para falta de alguém.

Já no francês, usa-se construções linguísticas tipo TU ME MANQUES, que seria algo como ‘sinto falta de você’ e MAL DU PAYS’ para nostalgia da terra pátria.
O Galego, idioma bem similar ao português, derruba de vez a teoria defendida primordialmente pelo gramático e historiador Nunes Leão, que lá em 1601, no seu livro “A Origem da Língua Portuguesa” afirmava ser a saudade um “aspecto próprio dos portugueses” que não podia ser explicado por qualquer outra nacionalidade.
Nessa língua ibero-românica da Galiza existe o termo SAUDADE, assim mesmo, totalmente igual, na grafia e no significado, à nossa palavrinha querida.
Uma das traduções mais curiosas de que me lembro vem do Romeno, cujo termo indicativo do sentimento de sofrimento pelo amor de alguém que está longe é expresso pela palavra DOR. Embora a pronúncia seja algo como ‘durere’, impossível não associar ao nosso vocábulo dor e, consequentemente à dolorida sensação de perder uma pessoa amada.
Seja como for, a palavra saudade tem sim tradução e não é exclusividade do idioma português, seja ele lusitano ou nossa língua pátria.
Já o sentimento saudade, como sentido e vivido especialmente pelos brasileiros, passionais por natureza, Ahhh… esse realmente é intraduzível.


Alessandro Paiva (Professor de Redação, Gramática e Literatura do Colégio CEDEC e fundador e professor da Oficina da Linguagem e do Isolado de Redação Prof. Alê)

Postado em 21 de abril de 2021

Professor Alê: Redação também se estuda!

Das minhas duas décadas em sala de aula, boa parte eu passei observando e comentando um erro crasso daqueles que querem aprender a escrever uma boa redação para um concurso, um vestibular ou alguma prova do tipo.

E que erro seria esse?

Não estudar redação como estudam outras matérias.

Quando um aluno foca em biologia, passa a ler conteúdos, assistir a videoaulas, responder questões… 

Sempre dedicando horas e horas à leitura de tudo que se relacionar com o conteúdo escolhido.

E quando quer aprender a escrever um texto dissertativo?

Na maioria das vezes, o estudante acha que escrever uma centena de textos vai resolver.

Ledo engano.

Não que praticar, redigindo bastante, não seja útil… Claro que é! Mas não se trata apenas disso.

É preciso estudar redação. 

Ler sobre o assunto da mesma forma que lê sobre geografia, química, história…

É fundamental a todos que querem aprimorar sua escrita, que leiam, estudem a estrutura do texto, estudem as normas gramaticais, pesquisem modelos de redações, consultem manuais, façam anotações.

Leiam, leiam, leiam.

Dentre os requisitos para tornar-se um bom escritor, o principal deles é a leitura.

Estudar é ler, e ler sobre redação e seus meandros é uma maneira indiscutível de aprender a pensar o texto antes de colocá-lo no papel.

Dediquem-se à análise de redações de provas anteriores de concursos, enems e assemelhados.

Identifiquem nelas os elementos estruturais, os acertos, os erros…

Praticar é essencial, mas a prática separada do conhecimento teórico é uma estrada enganosa, da mesma forma que a crença de que dá para alcançar uma redação perfeita sem estudar gramática também consiste em um pensamento capcioso.

Nada acontece fácil ou por meio de um passe de mágica.

Como qualquer outro assunto, escrever bem requer estudo. Muito.

Então, mãos à obra. A estrada é longa e abrir os livros é o primeiro é fundamental passo.

Alessandro Paiva

(Professor de redação do Colégio Elita Carlos (CEDEC) e fundador do Cursinho Oficina da Linguagem e do Isolado de Redação do Prof. Alê)

Imagem de Reiner Kombüchen por Pixabay

Postado em 8 de março de 2021

A língua portuguesa não tem segredos!!

Meu nome é Alessandro Paiva.O professor Alê, como todos me conhecem.

Leciono língua portuguesa há vinte anos e já passei por todas as grandes escolas de Mossoró e algumas de outras cidades.

Atualmente, além de ensinar gramática, redação e literatura no Colégio Elita Carlos (CEDEC), tenho o meu próprio curso isolado de redação.

Nessas duas décadas dedicadas ao nosso idioma, o que mais escutei em sala de aula e fora dela foi que o português é muito difícil…Não é.

Na realidade é uma língua apaixonante.Hoje, no meu primeiro texto aqui no portal, trouxe para vocês uma lista com 10 MANDAMENTOS PARA ESCREVER BEM, que circula pela internet já há alguns anos e que eu acho belíssima, mas não sei quem é o autor.

Fiz algumas adaptações no texto, para torná-lo mais interessante e prático.

Espero que gostem.
(Prof. Alê)

1 – Escrever é mandar recado
A receita de uma sobremesa é um recado. O convite para a festa de aniversário é um recado. A carta para seu amado é um recado. Toda mensagem é um recado.

2 – Seja natural
Não invente fórmulas mágicas, mirabolantes… escreva da sua forma e no seu tempo. Escrever bem é um aprendizado de tempo e prática. Não existem atalhos.

3 – Vá direto ao assunto
Não enrole: Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que desperte o interesse e o estimule a prosseguir a leitura.

4 – Use frases curtas
A pessoa só consegue dominar determinado número de palavras antes que os olhos peçam uma pausa. A frase muito longa dá trabalho, confunde.

5 – Prefira palavras breves e simples
Usar palavras longas e excessivamente formais só vai tornar o seu texto pedante é cansativo para o leitor.

6 – Ponha as sentenças na forma positiva
Diga o que é, não o que não é. Quer exemplos? Não ser honesto é ser desonesto; não lembrar é esquecer; não dar atenção é ignorar.

7 – Opte pela voz ativa
Ela é mais direta, vigorosa e concisa que a passiva (a passiva, como o nome diz, parece sem força, desmaiada). Prefira “um raio provocou o blecaute” a “o blecaute foi provocado por um raio”.

8 – Abuse de substantivos e verbos
Escreva com a convicção de que no idioma só existem essas duas classes de palavras. As demais, sobretudo adjetivos e advérbios, devem ser usadas com cuidado.

9 – Seja conciso
Não diga nem mais nem menos do que você precisa dizer.

10 – Persiga a clareza
Escreva sempre se perguntando se o leitor entenderia o que você está colocando no papel.

Postado em 16 de fevereiro de 2021